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Sem explicações ou aviso, a empresa americana decidiu suspender em 26 de junho a conta do ‘Zap do PT’, mantida pela legenda para distribuição de notícias e conteúdos a filiados do partido. Gleisi cobra explicações do Facebook e já encaminhou carta dirigida a Mark Zuckerberg, fundador da gigante do Vale do Silício. Sigla anuncia migração do canal para o aplicativo Telegram 
07/07/2020 08h54 – atualizado às 09h57 


Site do PT – Zap do PT censurado pelo Facebook 

A presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, denunciou nesta segunda-feira, 6 de julho, o bloqueio do canal de transmissão mantido pela legenda junto ao WhatsApp, empresa pertencente ao Facebook, para distribuição de notícias e conteúdos de interesse da sigla. O PT anunciou que está estudando as medidas judiciais cabíveis para reverter a decisão ou obter alguma explicação para o episódio. Gleisi anunciou que está criando um serviço oficial de informações do PT junto ao aplicativo Telegram. 

A administradora do WhatsApp no Brasil, administrada pelo Facebook, determinou, em 26 de junho, o bloqueio dos canais que a legenda mantinha oficialmente na empresa – o Zap do PT – sem apresentar quaisquer razões para o bloqueio. “É muito estranho que a suspensão seja promovida sem qualquer explicação dada pela empresa, nem oficialmente, nem extra-oficialmente”, diz Gleisi. “Não há razão para isso. Todos os conteúdos distribuídos pelo PT no Zap eram relativos a material divulgado no site do partido”. 

Gleisi cobra do Facebook no Brasil, e da matriz, nos Estados Unidos, que seja dada uma explicação oficial para a medida. A parlamentar denuncia que o bloqueio foi feito unilateralmente sem qualquer aviso ou explicação, de forma intempestiva. “O Zap do PT foi criado para divulgação de informações do PT aos seus filiados, constituindo comunicação legítima e voluntariamente consentida pelos usuários”, lembra Gleisi. A deputada encaminhou carta ao presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, para que a empresa se manifeste publicamente. 

O lançamento deste canal foi divulgado publicamente, inclusive por meio de outros canais oficiais de WhatsApp. “Cumprimos de boa fé as normativas do aplicativo, tanto em relação ao conteúdo quanto ao acesso aos usuários”, aponta a deputada e presidenta do PT. “Não fomos informados das razões do bloqueio, sejam de ordem técnica ou referentes às normativas de uso do aplicativo”. 

Segundo a Secretaria de Comunicação do PT, a legenda ficou impedida de se defender diante de qualquer alegação eventualmente feita contra o canal. Ou até mesmo corrigir falhas ainda desconhecidas. O bloqueio do ‘Zap do PT’ ocorre no momento em que o Congresso Nacional estuda uma nova legislação para regulamentar e estabelecer normas de conduta às empresas por conta das fake news. 

Gleisi chama atenção para o fato de o bloqueio ter ocorrido também no momento em que o PT havia lançado uma campanha de coleta de assinaturas pelo impeachment de Bolsonaro. “O site da Frente Fora Bolsonaro vinha sendo objeto de uma campanha do partido nas redes sociais e nas plataformas de compartilhamento de conteúdo com o WhatsApp. E, curiosamente, o bloqueio ocorre logo depois da campanha internacional #StopBolsonaro”, lembra a parlamentar. 

“A falta de resposta oficial ao nosso comunicado de 26 de junho denota falta de transparência na relação do WhatsApp e do Facebook com seus clientes e o bloqueio em si caracteriza prejuízo de nossos direitos como usuários do aplicativo”, critica Gleisi. “É grave o que está acontecendo. Quero denunciar publicamente o bloqueio arbitrário e a falta de transparência do Facebook”.


https://bit.ly/31R0Uqc

Bolsonaro bloqueia Janaina Paschoal no Twitter

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) disse que foi bloqueada no Twitter por Jair Bolsonaro depois que a parlamentar passou a criticá-lo em meio a manifestações que estimulam um golpe no País. Também chegou a pedir o afastamento dele
17 de junho de 2020


247 – A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) disse que foi bloqueada no Twitter por Jair Bolsonaro depois que a parlamentar passou a criticar atos que estimulam um golpe no País e a postura dele na pandemia do coronavírus. Ela já pediu que ele saia da presidência da República e afirmou que se arrependeu do voto.


Em uma de suas mais recentes críticas a Bolsonaro, ela afirmou que ele tem “dificuldade de conviver com a diferença” e sua desorganização vem desde a época da campanha eleitoral. “Eu previa [que Bolsonaro seria assim], mas não tanto”, admitiu a deputada em entrevista ao portal Uol. 


“Durante a campanha, houve momentos em que tentei organizar, conversei com várias pessoas, conversei com o ministro [Paulo] Guedes, de quem gosto muito. Eles tinham difculdade de organização, de montar equipe. Se ofenderam muito quando pedi um plano para a educação, para a saúde”, continuou.


Em março, Janaina criticou Bolsonaro por ter ido a atos de rua. Autoridades de saúde recomendam que as pessoas evitem aglomerações para diminuir a propagação da Covid-19.  “É um crime contra a saúde pública. Esse senhor tem que sair da Presidência da República. (…) Deixa o Mourão conduzir a nação. Não tem mais justificativa. (…) Eu me arrependi do meu voto. (…) As autoridades têm que se unir e pedir para ele se afastar”, disse ela em discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo. “Eu me arrependi do meu voto”.


(TWITTER: Janaina Paschoal @JanainaDoBrasil : O Presidente me bloqueou no Twitter. Desde que fui lá dizer para parar de falar do artigo 142 da CF, pois acabariam usando contra ele! Eu não estava torcendo por isso. Estava avisando. Tudo o que está ocorrendo mostra que eu tinha alguma razão.Respondendo a @JanainaDoBrasil : Eu nunca escondi minhas divergências frente a esse governo. Aliás, quem for justo lembrará que eu externei minhas muitas diferenças muito antes da eleição. Mas não posso deixar de dizer que estou muito preocupada com o rumo que essas investigações estão tomando.)

https://www.brasil247.com/regionais/sudeste/bolsonaro-bloqueia-janaina-paschoal-no-twitter

Com fogos e tochas contra o STF, bolsonaristas querem derreter a democracia – COLUNA DO LEONARDO SAKAMOTO

BrasilEmEstadoDeGolpe

Dois protestos bolsonaristas usaram fogo contra o Supremo Tribunal Federal no espaço de duas semanas. Mesmo que organizados por um grupo diminuto para gerar impacto midiático, eles não podem ser ignorados sob o risco do naco radical da base do presidente da República sentir-se mais à vontade para avançar na afronta às instituições democráticas.

Após a Polícia Militar ter desativado o acampamento do grupo de extrema direita “300 pelo Brasil” na Esplanada dos Ministérios, coletivo batizado pelo Ministério Público de “milícia armada”, o STF foi alvo de fogos de artifício, na noite deste sábado (13). Em um vídeo, que circulou pelas redes, as imagens são acompanhadas de ameaças a ministros da corte.

Dois sábados atrás, no dia 31 de maio, menos de 30 dos “300” realizaram um protesto na frente do Supremo, carregando tochas acesas, usando máscaras e ameaçando ministros da corte. A imagem ecoou a estética de atos supremacistas brancos nos Estados Unidos. O ato ocorreu após a sua porta-voz, Sara Winter, ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal em meio ao inquérito das fake news.

O simbolismo bíblico da purificação através do fogo está presente nesses flash mobs de apoiadores do presidente, bem como em outros da extrema direita ao longo da história e ao redor do mundo. Domingo após domingo, Brasília viu bolsonaristas radicais acusarem o STF e o Congresso Nacional de serem o lixo da República e defenderem um golpe militar e um novo AI-5 para permitir que Bolsonaro possa limpar o país. Repetem palavras que o próprio usou durante a campanha eleitoral e em toda a sua carreira.

Deve-se zelar pela liberdade de manifestação e garantir a liberdade de crítica, mesmo que dura, contra os poderes da República. Mas há limites, pois não há direitos absolutos. Enquanto a ação das tochas foi ética e esteticamente deplorável, o lançamento de fogos de artifício na sede do Poder Judiciário colocou em risco as instalações e as pessoas que lá trabalhavam. E ultrapassa um limite importante, abrindo caminho para a normalização de ataques a instituições e indivíduos se não houver a devida resposta.

Imagine se o Palácio do Planalto tivesse sido alvo de um bombardeio de fogos de artifício ou de um grupo de mascarados carregando tochas? O presidente estaria acusando uma tentativa de golpe de Estado, exigindo que seus opositores fossem caçados e conclamando seus apoiadores a virem de todas as partes do país defenderem a sede do governo ao lado das Forças Armadas.

Esse tipo de ação contra a cúpula de outro poder só ocorre, por sua vez, porque Jair Bolsonaro criou entre seus apoiadores a sensação de tudo pode. Ele que, como diria Guimarães Rosa, soltou “o diabo na rua, no meio do redemunho”, poderia puxar suas rédeas de volta. Mas não fará tal coisa porque depende desse estado de constante tensão e beligerância para se manter politicamente vivo.

Cabe às demais instituições evitarem uma escalada de ataques contra a sua integridade e punirem quem organiza e incentiva esse tipo de ação. Pois se nem o STF está a salvo de ataques por suas decisões, imagine o risco que corre o cidadão comum, que professa sua opinião sem a proteção de seguranças e de um cargo público.

Ao contrário do que pensa a turma do deixa-disso, o que aconteceu não é bobagem. Primeiro porque a construção de limites democráticos é uma atividade cotidiana. E porque bolas de neve gigantescas podem começar bem pequenas.

A cruzada hipócrita de Sérgio Moro contra Jair Bolsonaro The New York Times – 9 junho 2020

Agora que deixou o governo brasileiro, o ex-juiz e ex-ministro redescobriu os benefícios do estado de direito que ele contribuiu para colocar em risco. Não devemos esquecer isso. 
Por Gaspard Estrada ( @Gaspard_Estrada ) é diretor executivo do Observatório Político para a América Latina e o Caribe (OPALC) da Sciences Po, em Paris. 

O Brasil está passando por muitas crises ao mesmo tempo. Ele está prestes a se tornar um dos epicentros globais da pandemia e uma crise política está se aprofundando a cada dia também. 
Nas últimas semanas, pelo menos quatro ministros do governo de Jair Bolsonaro renunciaram ou foram forçados a renunciar. Talvez a demissão mais desafiadora para o presidente seja a de seu ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro. Quando se demitiu, acusou Bolsonaro de querer interferir politicamente na polícia federal. Dessa forma, o ex-juiz – que liderou a operação anticorrupção Lava Jato – deixou clara sua intenção de recuperar o papel de “justiça” no Brasil que o levou à fama. 

Mas, ao fazer isso, Moro se aventura em terrenos pantanosos. 

No fundo dessa mudança repentina do ministro estelar de Bolsonaro para seu perseguidor, há um paradoxo de que os brasileiros não devem perder de vista: em 2017, como autoridade do judiciário, Moro condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua frase se tornou popular : ” A lei é para todos .” Mas quando as informações foram divulgadas mais tarde sobre como o ex-juiz manipulou os mecanismos de denúncia compensada e que ocultou evidências do processo no Supremo Tribunal Federal – ele sentenciou Lula da Silva por ” atos indeterminados ex officio ” com a aprovação do tribunal. do recurso de Porto Alegre, que considerou que a operação Lava Jato “ não precisa seguir regras processuais comuns ” -, ficou evidente que para ele a lei não é a mesma para todos. 

Então, quando Moro acusou Bolsonaro de querer politizar a justiça, tentando interferir com a polícia federal para obter informações de investigações em andamento, faríamos bem em ver a ironia. 

Embora seja essencial investigar a suposta tentativa de Bolsonaro de interferir em órgãos judiciais autônomos, a justiça e os cidadãos não devem parar de questionar (e investigar) os métodos de Moro em sua cruzada anticorrupção quando ele era juiz e seu silêncio e cumplicidade quando ele era um membro do governo Bolsonaro. 

A revelação dos laços entre a família do presidente e as milícias que controlam grande parte do Rio de Janeiro e as tentativas do presidente, divulgadas ao público nos últimos meses, de impedir investigações judiciais dão credibilidade às alegações de Moro. No entanto, o que o ex-juiz não disse à opinião pública – ou aos policiais que o questionaram recentemente – é que, segundo algumas investigações jornalísticas, ele também usou sua influência política como ministro: segundo o próprio Bolsonaro, Moro deu a ele informações privilegiadas sobre as operações policiais federais em andamento que poderiam afetar membros de seu governo . 

Mesmo antes de sua chegada ao gabinete de Bolsonaro, durante seu período na magistratura, Moro deu sinais claros de não respeitar o estado de direito. Como juiz encarregado de Lava Jato, ele não parou de intimidar e intimidar as poucas pessoas que o criticaram na época, fossem jornalistas , advogados ou membros da academia . Embora ONGs como Repórteres Sem Fronteiras ou organizações como a Ordem dos Advogados do Brasil protestassem contra os métodos de Moro, o juiz manteve suas práticas e até espionou ilegalmente conversas telefônicas entre advogados e clientes para antecipar estratégias de defesa. 
Em vez de apresentar sua demissão, Moro se limitou a pedir desculpas à Suprema Corte. Essa estratégia é comum no governo Bolsonaro: basta admitir culpa e não sofrer consequências legais. O ministro da Cidadania Onyx Lorenzoni pediu desculpas por receber dinheiro ilegal por suas campanhas eleitorais. Em vez de iniciar uma investigação oficial pela polícia federal – sob seu comando – Moro expressou ” admiração ” por seu colega “assumindo a culpa e tomando medidas para reparar seu erro”. O próprio Jair Bolsonaro pediu desculpas (recentemente, a um jornalista que ele havia silenciado ) sem maiores repercussões. 

Quando Moro era ministro de Bolsonaro, ficou calado diante de vários ultrajes democráticos. Ele não disse nada quando o presidente começou a intervir nos principais organismos estaduais com a intenção de controlá-los. E foi assim que o Tesouro e os serviços de inteligência foram progressivamente supervisionados pelo ambiente Bolsonaro. E mesmo alguns dias antes de renunciar, Moro sugeriu ao presidente uma maneira legal de reduzir os poderes de inspeção do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental. 

Um exercício de memória teria que ser feito: no final de 2018, quando Moro concordou em se juntar ao governo Bolsonaro, ele parecia vender a ideia de que sua incorporação seria uma garantia de respeito pelo Estado de Direito. Graças às revelações do jornalista Glenn Greenwald e do arquivo Vaza Jato, hoje conhecemos sua idéia do estado de direito: conluio entre o juiz e a promotoria , seletividade nas investigações, manipulação de reclamações e motivações financeiras por trás da faixa ” anticorrupção “. Quando essas informações foram divulgadas, Moro respondeu adotando a mesma estratégia.do Presidente: Associando jornalistas a criminosos e tentando destruir evidências . 

Agora que deixou o governo, Moro redescobriu os benefícios do estado de direito e a liberdade de imprensa que ele contribuiu para colocar em risco. Não devemos esquecer isso. 

Hoje, a democracia brasileira está em perigo . Embora Moro tenha feito a coisa certa renunciando e denunciando possíveis violações da lei do presidente, o sistema de justiça brasileiro deve julgar as investigações de seus métodos como juiz e ministro o mais rápido possível . 

Se o próprio Moro quis defender a democracia do país e impedir que os reveses autoritários aprofundassem a distopia brasileira, ele deveria desistir de suas ambições políticas e reconhecer que a corrupção não pode ser combatida usando métodos corruptos. Um pedido de desculpas não é suficiente. 

Gaspard Estrada ( @Gaspard_Estrada ) é diretor executivo do Observatório Político para a América Latina e o Caribe (OPALC) da Sciences Po, em Paris. 

“Militares não mudaram modo de pensar depois da ditadura” via #OperaMundi | “Quanto mais baixa a hierarquia militar, mais apoio a Bolsonaro”, afirma pesquisador

BRUNO LUPION

Deutsche Welle Deutsche WelleBRUNO LUPION

Estudioso das Forças Armadas afirma que militares ainda estão presos na lógica da Guerra Fria e creem na ameaça de um “marxismo cultural”. Mourão, porta-voz desse conservadorismo, é “lobo em pele de cordeiro”, diz 

A maioria dos militares brasileiros, de alta e baixa patentes, está hoje engajada numa versão renovada da luta contra o comunismo que guiava a ditadura militar (1964-1985). Em vez de defender o país da influência da União Soviética, extinta em 1991, caberia agora às Forças Armadas proteger a nação do marxismo cultural, que seria uma nova forma de ação do comunismo, expressa em movimentos por direito de minorias, contra o racismo e em defesa das mulheres. É o que aponta o sociólogo João Roberto Martins Filho, professor da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) que pesquisa as Forças Armadas há quatro décadas. 

Essa ideologia começou a fazer a cabeça de militares nos anos 1990, mas eles se mantiveram relativamente silenciosos até o governo Dilma Rousseff, enquanto aparentavam se adaptar aos novos limites da democracia. Quando veio a crise de 2015, porém, “começou a brotar aquilo que estava recalcado”, e em 2018 os militares aproveitaram a vitória de Jair Bolsonaro para voltar ao poder e implementar seu projeto, afirma Martins Filho em entrevista à DW Brasil. 

O sociólogo aponta que um dos maiores porta-vozes desse novo conservadorismo militar é o vice-presidente, general Hamilton Mourão, que, na visão do pesquisador é “um lobo em pele de cordeiro” e não representa garantia de que, se vier a ocupar a Presidência da República, fará um governo diferente do de Bolsonaro. 

Martin Filho cita um artigo do vice-presidente publicado nesta quarta-feira (03/06) no jornal O Estado de S. Paulo, no qual Mourão afirma que as manifestações do último fim de semana contra o governo não eram democráticas, mas compostas por “deliquentes” ligados ao “extremismo internacional” que deveriam ser reprimidos pelas polícias. 

A tese bolsonarista de que o Supremo Tribunal Federal (STF) estaria realizando uma intervenção indevida no Poder Executivo tem apoio “quase unânime” nas Forças Armadas, diz Martins Filho. E há entre os militares simpatia à interpretação do presidente sobre o artigo 142 da Constituição, que o autorizaria a usar as Forças Armadas para “restabelecer a ordem” no país, inclusive contra o Poder Judiciário – tese rechaçada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e em um manifesto assinado por cerca de 700 juristas e advogados. 

Com cerca de 3 mil militares cedidos ao governo federal e generais ocupando cinco cargos de primeiro escalão da gestão Bolsonaro (Secretaria de Governo, Gabinete de Segurança Institucional e ministérios da Casa Civil, Defesa e Saúde), os integrantes das Forças Armadas costumam dizer que foram convocados para uma missão e, por sua formação militar, devem obediência ao seu chefe, o presidente da República. Esse argumento é falacioso, e oculta uma identidade de propósito entre a caserna e Bolsonaro, diz Martins Filho. 

Ele lembra que, no governo Dilma, houve casos de insubordinação à presidente, como do próprio Mourão – que na época era comandante militar do Sul e fez críticas ao governo e convocou oficiais da reserva a um “despertar de uma luta patriótica”, sendo em seguida punido com a transferência para um cargo burocrático. 

Questionado sobre os protestos de rua contrários ao governo convocados para o próximo final de semana, o professor da Ufscar diz ver risco de que as polícias militares – consideradas forças auxiliares das Forças Armadas, mas com um maior efetivo e ainda mais bolsonaristas – ajam com violência desproporcional contra os manifestantes. 

DW Brasil: O que aconteceu com as Forças Armadas brasileiras após o regime militar? 
João Roberto Martins Filho: Eu compararia com o que aconteceu na Argentina. Lá, a ditadura desmoronou dada a escala da repressão, que atingiu 30 mil mortos e desaparecidos, enquanto no Brasil foram menos de 500. As Forças Armadas da Argentina saíram do governo repudiadas pela opinião pública e com seus principais chefes julgados e condenados. No Brasil, houve um processo de dez anos de retirada controlada dos militares, que saíram do governo praticamente ilesos e até com certo prestígio. 
A partir dali, houve um processo lento de avanço do controle democrático sobre as Forças Armadas. O [Fernando] Collor extingue o Serviço Nacional de Informações, em 1999 é criado o Ministério da Defesa, e em 1996 sai a primeira Política de Defesa Nacional, depois uma Estratégia Nacional de Defesa e o Livro Branco da Defesa, que foram elaborados com a participação de civis. 
Aparentemente, os militares tinham se adaptado aos limites da democracia, todos os ministros da Defesa eram civis. Mas não houve mudança no modo de pensar deles – eles só não estavam expressando sua forma de pensar. Com a crise política, começou a brotar aquilo que estava recalcado. E, de repente, nos surpreendemos com esse afã de voltar a participar da política, e com ideias muito ultrapassadas. Isso numa sociedade que não tinha incorporado a crítica à ditadura, como se fez, por exemplo, na Alemanha com relação ao nazismo. Não houve aqui uma política de construção de uma memória crítica em relação à ditadura. 

Quais são as ideias hoje predominantes entre os militares? 
Eles ainda consideram que existe um comunismo disfarçado, como na época da Doutrina de Segurança Nacional. A marca da Guerra Fria era o anticomunismo, e isso não mudou. Se você ler hoje [03/06] o artigo do vice-presidente no jornal O Estado de S. Paulo, você fica horrorizado. Como é que, depois de duas manifestações de oposição, ele já está falando em polícia, prisão, conspiração internacional? Esse tipo de coisa não mudou. 
O que mudou foi que os militares conservadores, na época da ditadura, eram portadores de um nacionalismo autoritário e estatista. Nos últimos cerca de 20 anos, os militares começaram a ter cursos oferecidos pela Fundação Getúlio Vargas e pela Fundação Dom Cabral, MBAs nos quais eles se preparavam para o que poderiam fazer depois que fossem para a reserva – quando eles não se tornam general, vão para a reserva cedo, com 48, 50 anos. Esses cursos fizeram surgir algo que nunca existiu na mentalidade militar brasileira, uma visão liberal e ultraliberal da economia, e eles se afastaram daquele nacionalismo estatista e desenvolvimentista. 

Como os militares puderam manter essa ideologia anticomunista se não existe mais a “ameaça” do comunismo no mundo? 
Não existe mais o comunismo, mas há mais de 20 anos os militares passaram a acreditar que há uma ideologia do marxismo cultural, sobre a qual se fala muito hoje no Brasil. A ideologia do marxismo cultural seria a nova forma de atuação do comunismo, que teria se disfarçado em uma série de novas frentes, como no movimento pelas minorias, contra o racismo, pelos direitos da mulher e assim por diante. Essa seria uma forma nova do insidioso comunista atuar no mundo. Por isso, quando o [então] comandante do Exército [general Eduardo Villas Bôas] passou o comando [ao general Edson Leal Pujol] no começo do governo, em janeiro do ano passado, ele saudou o Bolsonaro por encerrar a era do politicamente correto, onde todos pensam igual. E falou que, de acordo com Walter Lippmann, onde todos pensam igual, ninguém pensa. Para ele, foi uma vitória o bolsonarismo, porque acabou com uma época supostamente de pensamento único. E esse pensamento único é a esquerda, é uma alusão a um comunismo disfarçado, apesar de ser algo inexistente na realidade. É um pouco absurdo, mas é o que eles pensam. 

Não há nas Forças Armadas uma ala moderada, com um pensamento mais moderno? 
Estamos procurando essa ala hoje, mas ainda não a encontramos. No caso do confronto artificial criado entre o governo e o Supremo, vários generais se manifestaram dando lição de direito constitucional ao Supremo. Imagine isso na Alemanha, um general falando para um membro da Alta Corte alemã como ele deve interpretar a Constituição alemã. Isso gerou um apoio, quase unânime, nas Forças Armadas à ideia de que está havendo uma intervenção do Poder Judiciário na liberdade do Poder Executivo. Complementada com a leitura de que o artigo 142 da Constituição permitiria que o Executivo chamasse as Forças Armadas para atuar como Poder Moderador, o que foi já recusado por um manifesto de 650 juristas. Me parece que esse caráter conservador, neoliberal e a defesa do governo Bolsonaro são mais ou menos unânimes, independente da Força ou de ser da reserva ou da ativa. 

“Quanto mais baixa a hierarquia militar, mais apoio a Bolsonaro”, afirma pesquisador 
E o general Santos Cruz, que foi ministro da Secretaria de Governo e saiu em junho de 2019, após virar alvo de ataques virtuais de apoiadores de Bolsonaro, e vem fazendo críticas ao governo? Ele também é alinhado a esse pensamento? 
Tem dois generais, o general [Sérgio] Etchegoyen, que foi chefe do Gabinete de Segurança Institucional no governo Temer, e o general Santos Cruz, que têm dado entrevistas. Se você analisar as entrevistas, vai perceber que o que unifica o discurso deles é o antiesquerdismo, mesmo considerando que a centro-esquerda ficou no poder por 13 anos e não representou nenhuma ameaça concreta à democracia. O Santos Cruz tem uma mágoa profunda do entorno do governo, dos filhos do presidente, e você encontra críticas dele ao governo, mas não uma recusa ao governo em si e ao Bolsonaro. O presidente é poupado, porque no fundo para eles é um governo de direita e conservador que tem que ser apoiado, apesar dos seus problemas. Tanto o Etchegoyen quanto Santos Cruz falaram quase a mesma frase: o governo tem alguns erros, mas o tem mais acertos. É como se falassem: esse governo é ruim, mas é o nosso governo. 

Como o senhor interpreta o vice-presidente Hamilton Mourão, que também tem publicado artigos e dado entrevistas com frequência? 
O general Mourão foi um dos generais mais insubordinados durante a democracia. Inclusive pelas manifestações que fez, e que não poderia ter feito porque estava na ativa. Ele até prejudicou sua carreira por causa disso e foi sutilmente punido com perda de comando no Exército [em 2015, Mourão fez críticas à classe política e ao governo e convocou oficiais da reserva a um “despertar de uma luta patriótica”, e em seguida perdeu o comando Militar do Sul e foi transferido a um cargo burocrático]. 
Não existe diferença nenhuma entre o que pensa o bolsonarismo e o que pensa o general Mourão. O Mourão é um lobo em pele de cordeiro. Ele não representa nenhuma garantia de que, se vier a ocupar a Presidência, o governo será diferente. Ele é um dos porta-vozes desse conservadorismo militar que venho definindo. 

Existe diferença de orientação política entre o Alto Comando e os oficiais de baixa patente? 
Conforme vai baixando na hierarquia militar, há ainda mais apoio e identificação com Bolsonaro. Não por acaso, porque ele tem o ethos de capitão, e não o de general. O Alto Comando, muito sutilmente, já expressou uma insatisfação com a demissão do general Santos Cruz e com o fato de que há um general da ativa na Secretaria de Governo, o general Ramos. Há uma certa sensibilidade com atitudes do general Ramos, que está negociando com o Centrão cargos em troca de apoio para impedir o impeachment. Também pegou mal uma fala do Bolsonaro de que se ele mandasse os generais irem com ele a uma manifestação, eles teriam que ir. Mas foi isso mesmo que aconteceu, na manifestação do último domingo (02/06) ele exibiu, dentro do helicóptero em que estava, o ministro da Defesa [general Fernando Azevedo]. Filmaram a presença dele e usaram como propaganda. 

O ministro da Defesa estava no helicóptero por um dever de obediência ao seu chefe ou por comungar da pauta da manifestação? 
Os militares têm usado esse argumento de que, uma vez no governo, são obedientes, têm o dever de obedecer. Mas isso é falacioso, porque durante o governo da Dilma eles realizaram uma série de atos de insubordinação, inclusive do Mourão, mas também do general [Augusto] Heleno. Se o ministro da Defesa tivesse outra posição, ele poderia ter dito ao presidente que não ficaria bem para ele ir a uma manifestação dessas. Aí o Bolsonaro poderia demiti-lo, mas ele teria que arriscar. 

O atual comandante do Exército, general Pujol, tem sinalizado algum distanciamento do presidente. Ele se diferencia dos demais generais do governo? 
O general Pujol é um general profissional, é considerado um general não político. Isso até espanta, porque hoje em dia passou a ser uma exceção o general não político. Ele tem procurado manter uma certa distância. O Bolsonaro ameaçou tirar o Pujol e colocar o Ramos em seu lugar, mas pegou tão mal dentro da Força que ele continua lá. O Pujol representa talvez a mais leve esperança de profissionalismo diante de uma situação como essa. 

O senhor vê alguma chance de Bolsonaro dar um autogolpe enquanto é presidente? 
Sim, vejo. Não vejo chance de os militares tirarem o Bolsonaro dando um golpe clássico, mas, se seguir com o apoio dos militares, ele continuará com sua estratégia de corroer as instituições lentamente por dentro, agora trazendo esse debate sobre o artigo 142 da Constituição, o papel das Forças Armadas e as críticas ao Supremo. Quais são as instituições principais em uma democracia? O Congresso, o Poder Judiciário, a imprensa livre, os sindicatos e os partidos políticos. Nenhum desses deixou de ser alvo de ataques violentos do presidente. Estamos correndo o risco de ter uma espécie de meia democracia, o que seria já um caminho para o autoritarismo. 

O que seria um autogolpe? Invocar o artigo 142 da Constituição e as Forças Amadas encamparem a interpretação do presidente sobre esse artigo? 
Uma vez que ele acertou a situação com o Congresso, fazendo o que se chama de “toma lá, dá cá”, o Congresso está tranquilo. Agora o único poder que está se opondo é o Supremo. Se o Supremo ceder, já teremos uma espécie de regime híbrido. Mas atualmente o Supremo não está mostrando disposição para ceder, está enfrentando. O Supremo virou uma espécie de último reduto de defesa da democracia. 

Se ocorrer um recrudescimento dos protestos de rua, como as Forças Armadas e as polícias tendem a agir? 
A polícia militar é uma base perigosa do bolsonarismo, é muito mais numerosa, em termos de efetivo, do que as Forças Armadas, e mais bolsonarista. As polícias têm uma tradição de desobedecer os governadores, e na lei brasileira elas são consideradas forças auxiliares das Forças Armadas. O que está se esboçando agora é um crescimento dos protestos, que ficaram muito tempo contidos, e uma ação descontrolada das polícias militares. Pelo artigo que o general Mourão publicou hoje [03/06], ele já está anunciando que essas manifestações de oposição são ilegítimas e que não se pode comparar essas manifestações, que mal começaram, com as manifestações legítimas dos bolsonaristas, que seriam um pouco exageradas, mas democráticas.

https://operamundi.uol.com.br/politica-e-economia/65090/militares-nao-mudaram-modo-de-pensar-depois-da-ditadura

OS “300” FASCISTAS DE BOLSONARO — Pedro Paulo Rasga a Mídia

Em outubro de 2018, logo depois do primeiro turno da eleição presidencial, Jair Bolsonaro recebeu o elogio e o apoio de alguém “muito especial”: na ocasião David Duke, ex-líder da organização terrorista e racista Ku-Klux-Klan declarou sobre Jair Bolsonaro: “Ele soa como nós!” A Ku-Klux-Klan ficou muito conhecida pelos seus rituais macabros de violência, em […]

OS “300” FASCISTAS DE BOLSONARO — Pedro Paulo Rasga a Mídia

Justiça ordena que Fundação Palmares exclua conteúdos que atacam a figura de Zumbi — Notícia Preta

A Fundação Palmares deverá excluir dois textos escritos por conservadores que atacam a figura de Zumbi dos Palmares e a tratam como uma ‘construção ideológica de esquerda’. A decisão é da Justiça Federal do Distrito Federal. A juíza Maria Cândida de Almeida, da 9ª Vara Federal, afirmou que, ao defender a ideia de que não…

Justiça ordena que Fundação Palmares exclua conteúdos que atacam a figura de Zumbi — Notícia Preta

De ‘quebrar Brasil’ a ‘levar país a desastre’, a imagem de Bolsonaro na imprensa internacional | (Diferente da narrativa governista, que costuma atribuir as críticas à esquerda, as análises negativas também estampam as páginas de veículos tradicionalmente conservadores, como o jornal britânico The Telegraph.)

(Diferente da narrativa governista, que costuma atribuir as críticas à esquerda, as análises negativas também estampam as páginas de veículos tradicionalmente conservadores, como o jornal britânico The Telegraph.)

Entre domingo (24) e segunda-feira (25), diversos veículos de imprensa internacionais publicaram longos artigos e reportagens com duras críticas à resposta do presidente Jair Bolsonaro à crise gerada pelo novo coronavírus.

O brasileiro é descrito um “líder vingativo”, com atuação “irresponsável e perigosa”, que investe seu tempo em brigas com juízes, parlamentares e “até os próprios ministros” enquanto governadores pedem ajuda.

“Quebrar o Brasil” e “levar o país ao desastre” são alguns dos prognósticos associados à atuação do presidente, descrito como um dos raros negacionistas da gravidade da pandemia e tem sua atuação apresentada como uma das piores em todo o planeta.

Quatro eixos principais dão contexto aos materiais publicados: o vídeo da reunião ministerial em que Bolsonaro supostamente exporia sua intenção de interferir em investigações contra familiares e pessoas próximas, a gestão ambiental do governo em meio à pandemia, o veto imposto pelo aliado Donald Trump à entrada nos EUA de pessoas que estiveram no Brasil e a insistência do presidente brasileiro em minimizar a pandemia e incentivar aglomerações públicas.

Diferente da narrativa governista, que costuma atribuir as críticas à esquerda, as análises negativas também estampam as páginas de veículos tradicionalmente conservadores, como o jornal britânico The Telegraph.

O mesmo vale para ícones mundiais do liberalismo econômico, celebrado pelo ministro Paulo Guedes (Economia) e pelo filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, como é o caso do jornal Financial Times.

Na manhã desta segunda-feira, em frente ao palácio do Alvorada, o presidente foi questionado por uma apoiadora sobre a imagem negativa de sua gestão no exterior.

“A imprensa mundial é de esquerda”, insistiu o líder brasileiro, citando mais uma vez o presidente norte-americano. Em descompasso com Bolsonaro, Trump tem descrito o Brasil como alvo de um “surto”, “duramente atingido” e vivendo “um momento difícil” em meio à pandemia.

“O Trump sofre muito nos Estados Unidos também”, disse o presidente brasileiro.

🚩Financial Times

A publicação mais comentada nesta segunda-feira vem do jornal britânico Financial Times.

Um artigo assinado por Gideon Rachman, colunista-chefe para assuntos internacionais do jornal, aponta no título que “o populismo de Jair Bolsonaro está levando o país para um desastre”.

O texto compara as respostas de Bolsonaro e de Trump à pandemia, classificando a do brasileiro como “ainda mais irresponsável e perigosa”

O mesmo vale para ícones mundiais do liberalismo econômico, celebrado pelo ministro Paulo Guedes (Economia) e pelo filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, como é o caso do jornal Financial Times.

Na manhã desta segunda-feira, em frente ao palácio do Alvorada, o presidente foi questionado por uma apoiadora sobre a imagem negativa de sua gestão no exterior.

“A imprensa mundial é de esquerda”, insistiu o líder brasileiro, citando mais uma vez o presidente norte-americano. Em descompasso com Bolsonaro, Trump tem descrito o Brasil como alvo de um “surto”, “duramente atingido” e vivendo “um momento difícil” em meio à pandemia.

“O Trump sofre muito nos Estados Unidos também”, disse o presidente brasileiro.

O paralelo se repete em relação ao apoio de ambos a protestos contra medidas de isolamento. Trump, segundo o texto, expressou simpatia aos manifestantes. Já Bolsonaro foi além e participou dos atos.

O especialista conclui que o Brasil será duramente afetado econômica e socialmente conforme a doença se espalha pelo país. Para Rachman, “Bolsonaro obviamente não é culpado pelo vírus”, mas pela “resposta caótica que permitiu que ele fugisse do controle”.

O texto cita um paradoxo em sua conclusão – apesar da gestão do presidente aprofundar a crise no país, ela pode ajudá-lo politicamente – já que o vírus impede grandes manifestações, como as registradas durante o impeachment de Dilma Rousseff.

Para o analista, “Bolsonaro prospera por meio de políticas que dividem”.

“Mortes e desemprego causados pela covid-19 estão sendo exacerbados pela liderança de Bolsonaro. Mas, perversamente, um desastre econômico e de saúde pública pode criar um ambiente ainda mais propício para a política do medo e da irracionalidade”, diz o autor, no jornal inglês.

🚩The Telegraph

O jornal conservador The Telegraph vai além e diz que Bolsonaro pode ficar conhecido como “o homem que quebrou o Brasil”.

O texto cita declarações recentes do presidente, que classificou a pandemia como “histeria” e “resfriadinho”, e disse que estaria imune aos sintomas mais graves da doença graças a seu “histórico de atleta”.

“Dois meses e 340 mil casos confirmados depois, o pequeno resfriado ceifou as vidas de pelo menos 20 mil brasileiros, e provavelmente muitos mais”, aponta o jornal.

O Telegraph destaca o Brasil como novo epicentro global da pandemia, “registrando médias diárias mais altas que qualquer outro lugar no mundo”.

O texto diz que os problemas de Bolsonaro não terminam aí e cita o vídeo da reunião ministerial – “um escândalo que pode levar a um impeachment”, segundo o jornal.

Ainda segundo a reportagem, a estratégia de Bolsonaro não encontra similares em nenhum lugar do mundo – “o presidente estimula uma cultura de bullying e desprezo pelos que pensam diferente”.

“Um líder ciumento e vingativo dirigindo uma nação em crise”, descreve o jornal a partir de relatos de fontes no governo em Brasília.

🚩NYT

Nos EUA, o jornal The New York Times destacou o veto de Trump a viajantes vindos do Brasil.

“Enquando hospitais colapsam e governadores imploravam por ajuda, Bolsonaro passou os últimos meses brigando com a Suprema Corte, com o Congresso e até com seus próprios ministros”, diz o jornal. “Agora ele se vê como alvo de uma investigação que apura se ele protegeu sua família de investigações sobre corrupção.”

O NYT aponta que o presidente brasileiro vê sua aprovação caindo, enquanto a pandemia está fora de controle no país.

Segundo o jornal americano, o bloqueio vindo de um aliado como Trump é um revés para Bolsonaro, que “repetidamente tentou ganhar capital político a partir de sua afinidade ideológica com o presidente americano”.

“O potencial de transmissão não detectada do vírus por indivíduos infectados que tentam entrar nos Estados Unidos oriundos do Brasil ameaçam a segurança do nosso sistema de transporte e infraestrutura e a segurança nacional”, afirma a proclamação assinada por Trump no fim de semana.

O veto, que passa a valer a partir do dia 29 deste mês, deixa de fora cidadãos americanos e estrangeiros com visto de residência permanente, entre outras exceções.

O documento da Casa Branca cita dados da pandemia no Brasil para justificar a medida e uma avaliação do Centro para Prevenção e Controle de Doenças (CDC) de que o país está vivenciando uma ampla transmissão da covid-19.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Kayleigh McEnany, disse que as novas restrições ajudarão a garantir que estrangeiros não tragam infecções adicionais para os EUA, mas não se aplicariam ao fluxo de comércio entre os países.

“Bolsonaro se viu repetidamente esnobado pelo governo dos EUA”, lembra o jornal, citando ameaças de Trump de aumentar taxas sobre produtos exportados pelo Brasil e a possibilidade de vetar a entrada do Brasil na OCDE.

🚩Outros veículos

Outros veículos como a agência de notícias Reuters, a revista semanal Newsweek, o jornal britânico The Guardian e o portal econômico Business Insider também dedicaram textos repercutindo as más notícias associadas ao Brasil.

Nesta segunda-feira, uma das principais notícias da Business Insider aponta, no título, que “povos indígenas do Brasil correm risco de ‘genocídio'”, apontando taxas de mortalidade mais aceleradas que no restante da população.