Rede TVTO documentário brasileiro “O Processo”, da cinea sta Maria Augusta Ramos, foi o principal destaque do Festival de Cinema de Berlim, na Alemanha. O filme sobre o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2016, foi ovacionado durante o evento. O comentarista internacional, Flávio Aguiar, acompanhou a exibição do filme.

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#Golpe Este é o documento secreto mais perturbador que já li em vinte anos de pesquisa. É um relato da CIA sobre reunião de março de 1974 entre o General Ernesto Geisel, presidente da República recém-empossado, e três assessores: o general que estava deixando o comando do Centro de Informações do Exército (CIE), o general que viria a sucedê-lo no comando e o General João Figueiredo, indicado por Geisel para o Serviço Nacional de Inteligência (SNI). O grupo informa a Geisel da execução sumária de 104 pessoas no CIE durante o governo Médici, e pede autorização para continuar a política de assassinatos no novo governo. Geisel explicita sua relutância e pede tempo para pensar. No dia seguinte, Geisel dá luz verde a Figueiredo para seguir com a política, mas impõe duas condições. Primeiro, “apenas subversivos perigosos” deveriam ser executados. Segundo, o CIE não mataria a esmo: o Palácio do Planalto, na figura de Figueiredo, teria de aprovar cada decisão, caso a caso. De tudo o que já vi, é a evidência mais direta do envolvimento da cúpula do regime (Médici, Geisel e Figueiredo) com a política de assassinatos. Colegas que sabem mais do que eu sobre o tema, é isso? E a pergunta que fica: quem era o informante da CIA? O relato da CIA foi endereçado a Henry Kissinger, então secretário de Estado. Kissinger montou uma política intensa de aproximação diplomática com Geisel. A transcrição online do documento está no link abaixo, mas o original está depositado em Central Intelligence Agency, Office of the Director of Central Intelligence, Job 80M01048A: Subject Files, Box 1, Folder 29: B–10: Brazil. Secret; [handling restriction not declassified]. ================================================= 1) RELAÇÕES EXTERIORES DOS ESTADOS UNIDOS, 1969–1976, VOLUME E – 11, PARTE 2, DOCUMENTOS SOBR E A AMÉRICA DO SUL, 1973–1976 99. Memorando De Diretor de Inteligência Central Colby ao Secretário de Estado Kissinger 1 Washington , 11 de abril de 1974 . SUJEITO Decisão do Presidente do Brasil, Ernesto Geisel, de continuar a execução sumária de subversivos perigosos sob certas condições 1. [ 1 parágrafo (7 linhas) não desclassificado ] 2. Em 30 de março de 1974, o presidente brasileiro Ernesto Geisel reuniu-se com o general Milton Tavares de Souza (chamado General Milton) e com o general Confúcio Danton de Paula Avelino, respectivamente os chefes de saída e chegada do Centro de Inteligência do Exército (CIE). Também esteve presente o general João Baptista Figueiredo , chefe do Serviço Nacional de Inteligência (SNI). 3. O General Milton, que fez a maior parte da conversa, delineou o trabalho da CIE contra o alvo subversivo interno durante a administração do ex-presidente Emilio Garrastazu Médici . Ele enfatizou que o Brasil não pode ignorar a ameaça subversiva e terrorista, e disse que métodos extra-legais devem continuar a ser empregados contra subversivos perigosos. A este respeito, o General Milton disse que cerca de 104 pessoas nesta categoria foram sumariamente executadas pela CIE durante o ano passado, aproximadamente. Figueiredo apoiou essa política e insistiu em sua continuidade. 4. O presidente, que comentou sobre a gravidade e os aspectos potencialmente prejudiciais desta política, disse que queria refletir sobre o assunto durante o fim de semana antes de chegar a qualquer decisão sobre [Página 279] se ele deve continuar. Em 1º de abril, o presidente Geisel disse ao general Figueiredo que a política deveria continuar, mas que muito cuidado deveria ser tomado para assegurar que apenas subversivos perigosos fossem executados. O Presidente e o General FigueiredoConcordou que, quando a CIE prender uma pessoa que possa se enquadrar nessa categoria, o chefe da CIE consultará o General Figueiredo , cuja aprovação deve ser dada antes que a pessoa seja executada. O Presidente e o General Figueiredo também concordaram que a CIE deve dedicar quase todo o seu esforço à subversão interna, e que o esforço geral da CIE será coordenado pelo General Figueiredo . 5. [ 1 parágrafo (12½ linhas) não desclassificado ] 6. Uma cópia deste memorando será disponibilizada ao Secretário de Estado Adjunto para Assuntos Interamericanos. [ 1½ linhas não desclassificadas ] Nenhuma distribuição adicional está sendo feita. Nós Colby Resumo: Colby relatou que o Presidente Geisel planejava continuar com a política da Médici de usar meios extras legais contra subversivos, mas limitaria as execuções aos subversivos e terroristas mais perigosos. Fonte: Agência Central de Inteligência, Escritório do Diretor de Inteligência Central, Job 80M01048A: Arquivos de Assunto, Caixa 1, Pasta 29: B – 10: Brasil. Segredo; [ restrição de manuseio não desclassificada ]. De acordo com uma anotação carimbada, David H. Blee assinou com Colby . Elaborado por Phillips , [ nomes não desclassificados ] em 9 de abril. A linha para a concordância do Diretor Adjunto de Operações está em branco. https://history.state.gov/historicald…/frus1969-76ve11p2/d99 2) RELAÇÕES EXTERIORES DOS ESTADOS UNIDOS, 1969–1976, VOLUME E – 11, PARTE 2, DOCUMENTOS SOBRE A AMÉRICA DO SUL, 1973–1976 Relações Exteriores dos Estados Unidos, 1969–1976, Volume E – 11, Parte 2, Documentos sobre a América do Sul, 1973–1976 Editores: Sara Berndt Halbert Jones James Siekmeier Editor Geral: Adam M. Howard Visão geral Este volume é parte de uma subsérie de relações exteriores que documenta as questões mais importantes na política externa dos presidentes Richard M. Nixon e Gerald R. Ford. O volume das repúblicas americanas divide-se em duas partes: a Parte Dois documenta as relações dos EUA com a América do Sul entre 1973 e 1976. As relações dos EUA com o Chile até meados de setembro de 1973 são cobertas em Relações Exteriores , 1969-1976, Volume XXI, Chile, 1969– 1973, e as relações dos EUA com o Panamá são cobertas em Relações Exteriores1969-1976, Volume XXII, Panamá, 1973-1976. As oito compilações aqui apresentadas ilustram a formulação de uma nova política dos EUA para a região como um todo: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile (a partir do final de setembro de 1973), Colômbia, Peru, Uruguai e Venezuela. A política dos EUA em relação à América Latina durante este período centrou-se em estabelecer o que Henry A. Kissinger chamou de “Novo Diálogo” com a região. Lançado em outubro de 1973, poucos dias após a posse de Kissinger como Secretário de Estado, o “Novo Diálogo” foi concebido como uma forma construtiva para os Estados Unidos enfrentarem o desafio representado pela aparente emergência de um bloco regional latino-americano. A iniciativa pedia reuniões regulares de ministros das Relações Exteriores para abordar questões de interesse mútuo e tinha como objetivo restaurar a sensação de que existia uma relação especial entre os Estados Unidos e seus vizinhos do sul. Em 1976, no entanto, as autoridades dos EUA abandonaram em grande parte a idéia de buscar uma política regional unificada, como é chamado pelo “Novo Diálogo”. Em vez disso, reconhecendo que a América Latina não era um bloco monolítico, a administração da Ford se concentrou mais nas relações bilaterais com as nações do hemisfério. Como este volume documenta, aumentar a preocupação pública e do Congresso sobre questões de direitos humanos afetou a elaboração da política norte-americana em grande parte da América Latina em meados da década de 1970. Essas preocupações concentravam-se, em grande parte, no Chile e na Argentina, onde os regimes militares visavam acabar com o que viam como esforços de subversão inspirados pelos comunistas. Finalmente, várias compilações (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai) incluem documentação sobre a Operação Condor. a administração da Ford se concentrou mais nas relações bilaterais com as nações do hemisfério. Como este volume documenta, aumentar a preocupação pública e do Congresso sobre questões de direitos humanos afetou a elaboração da política norte-americana em grande parte da América Latina em meados da década de 1970. Essas preocupações concentravam-se, em grande parte, no Chile e na Argentina, onde os regimes militares visavam acabar com o que viam como esforços de subversão inspirados pelos comunistas. Finalmente, várias compilações (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai) incluem documentação sobre a Operação Condor. a administração da Ford se concentrou mais nas relações bilaterais com as nações do hemisfério. Como este volume documenta, aumentar a preocupação pública e do Congresso sobre questões de direitos humanos afetou a elaboração da política norte-americana em grande parte da América Latina em meados da década de 1970. Essas preocupações concentravam-se, em grande parte, no Chile e na Argentina, onde os regimes militares visavam acabar com o que viam como esforços de subversão inspirados pelos comunistas. Finalmente, várias compilações (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai) incluem documentação sobre a Operação Condor. Aumentar a preocupação pública e do Congresso sobre questões de direitos humanos afetou a elaboração da política norte-americana em grande parte da América Latina em meados da década de 1970. Essas preocupações concentravam-se, em grande parte, no Chile e na Argentina, onde os regimes militares visavam acabar com o que viam como esforços de subversão inspirados pelos comunistas. Finalmente, várias compilações (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai) incluem documentação sobre a Operação Condor. Aumentar a preocupação pública e do Congresso sobre questões de direitos humanos afetou a elaboração da política norte-americana em grande parte da América Latina em meados da década de 1970. Essas preocupações concentravam-se, em grande parte, no Chile e na Argentina, onde os regimes militares visavam acabar com o que viam como esforços de subversão inspirados pelos comunistas. Finalmente, várias compilações (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai) incluem documentação sobre a Operação Condor. https://history.state.gov/histo…/frus1969-76ve11p2/d99%C3%89

Geisel e Figueiredo a paisana

Eugenio Costa está com Danilo Novaes. 8 min · #LulaLivre Sem HC, Haverá Pressão Por ADCs; Quando Votadas, Lula Vai Ser Solto Se Não Houver Prisão Preventiva. E O Jogo Ruim De Cármen Por Redação Click Política Em 4 abr, 2018 POR REINALDO AZEVEDO: Obtenha o ex-presidente Lula ou não o habeas corpus nesta quarta, resta ao Supremo Tribunal Federal tomar a decisão de fundo, que é a votação das Ações Declaratórias de Constitucionalidade, que o relator, Marco Aurélio, tornou disponíveis para apreciação do pleno já em dezembro. A tensão não teria chegado aonde chegou se Cármen Lúcia não tivesse decidido cuidar de sua lenda pessoal em vez de se ocupar da pauta do Supremo com isenção de ânimo, sem dar ouvidos ao alarido. Estima-se que, na apreciação desse instrumento, que gera efeito vinculante, haja uma maioria contra a execução antecipada da pena. Votarão, com certeza, segundo essa ótica, os ministros Rosa Weber — nesse caso, não há dúvida —, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello. Gilmar Mendes já deu a entender que deve seguir esse caminho. Devem se opor Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Roberto Barroso, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Que se lembre sempre: a decisão tomada em 2016 dizia respeito a um Recurso Especial com Agravo (ARE), sem efeito vinculante. Quando se diz que o Supremo estaria “mudando a jurisprudência”, não se acrescenta uma informação essencial: a leitura conforme a Constituição está ainda por ser feita. E está lá, na fila, à espera de votação. E por que a ministra Cármen resiste? Ela que vote contra, que seja eloquente na sua exposição. Absurdo é que tente impedir os outros de votar. Se preso, pode ser solto Observem: caso o STF venha a recusar o habeas corpus a Lula, ele será preso em breve, assim que o TRF-4 julgar a segunda rodada de embargos de declaração. A prisão ocorreria ainda nesta quinzena. Isso quer dizer que ficará na cadeia até que seu recurso seja julgado pelo Superior Tribunal de Justiça? Não! A pressão para votar as Ações Declaratórias de Constitucionalidade será imensa. E, convenham, com razão. Se há lá duas ações que pedem que se declare a constitucionalidade do Artigo 283 do Código de Processo Penal e se este, a exemplo do Inciso LVII do Artigo 5º da Constituição, só prevê a execução da pena depois do trânsito em julgado, Lula será solto. Será que Cármen pode deixar o assunto na fila, aguardando apenas um ato de vontade? É certo manipular a pauta do tribunal com o fito de manter Lula na cadeia? Ah, sim: o contrário também pode acontecer. Se o ex-presidente obtiver o habeas corpus e se o Supremo disser “não” às ADCs, então será preso. O jogo de Cármen A presidente do Supremo tem certeza de que seis ministros do Supremo declararão constitucional o Artigo 283 do CPP. Ela deixa a presidência do tribunal em setembro. Dias Toffoli assume o tribunal. Parece que a ministra quer jogar a batata quente no colo do seu colega, o que, convenham, não seria muito nobre. Como se dissesse: “Se quiserem, vocês que soltem os presos; comigo, não”. É uma postura inaceitável. E agora algumas palavras sobre Toffoli. Já critiquei, sim, votos seus. Aliás, fui muito duro por ocasião de sua indicação. Mas se revelou um ótimo ministro. Espalha-se, nas redes, uma mentira escandalosa, asseverada por alguns especialistas na própria opinião, segundo a qual ele sempre votaria de acordo com os interesses dos petistas. Falso como nota de R$ 171. Inúmeras vezes, no mensalão e no petrolão, deu votos contrários aos interesses do partido. Tanto é assim que passou a ser malvisto pelos “companheiros”. É preciso parar com essa mania de endeusar ou de demonizar ministros a depender da concordância com seu voto ou da discordância. Quando Gilmar Mendes concedeu uma liminar contra a posse de Lula como ministro de Dilma, foi saudado como herói por alguns que o atacam agora. A questão não está em estar de acordo ou em desacordo com o voto, mas em avaliar se o ministro atua em desacordo ou de acordo com a Constituição. “Ah, você vive batendo em Barroso, Reinaldo”. É verdade! É que esse ministro, seja agradando à esquerda, como fez durante um largo período, seja agradando à extrema-direita, como faz agora, tem a mania de querer reescrever a Constituição. Eu não critico Barroso por ele ser favorável à descriminação do aborto, por exemplo. Acho, sim, um horror. Mas não repudio suas ações por isso. O que acho inaceitável é que ele tenha resolvido legislar a respeito desse assunto e de outros tantos. Sua mais recente contribuição ao desatino foi concordar com Raquel Dodge na tese exótica e autoritária de que a prisão temporária pode tomar o lugar da condução coercitiva quando está se mostra inviável por força de lei. As minhas restrições aos senhores ministros, quando existem, estão ancoradas em códigos escritos, não no meu fígado. Mas encerro voltando ao ponto: qualquer que seja o resultado da votação do HC, impõe-se a votação das ADCs. Cármen não pode continuar como uma ditadora do Supremo.

http://clickpolitica.com.br/sem-hc-havera-pressao-por-adcs-quando-votadas-lula-vai-ser-solto-se-nao-houver-prisao-preventiva-e-o-jogo-ruim-de-carmen/

#LulaLivre Retweeted Célia Long (@Celia13Guevara): STF ABRE A CAIXA DE PANDORA OU ALGUM MINISTRO PEDE VISTA 04/04/2018 Certamente haverá alguma reação no curto prazo e, no longo prazo, com uma esquerda que começou a se unir, compreendendo a urgência do momento, haverá reação no médio e no longo prazo. Com o voto desastroso de Rosa Weber, que, segundo ela, decidiu pelo entendimento de 2016, mesmo que ela pense o contrário, abre-se a porta para a prisão do ex-presidente Lula, a menos que alguém peça vista do processo. Logo após o voto de Rosa Weber, que consagrou a vitória fascista da mídia, em especial a Globo, com seu “puxadinho”, o comando do exército, a presidente do STF, Ministra Cármen Lúcia pediu um intervalo por tempo regimental. O Brasil, com isso, chega a um impasse em sua história e começa um mergulho numa espiral de radicalização e domínio das classes superiores sobre os mais pobres. Não há qualquer perspectiva de como será a reação mas, há forte tendência de crescimento dos seguimentos mais atrasados da sociedade brasileira. Leia Também: GILMAR MENDES MANDA JORNALISTA DA FOLHA “ENFIAR A PERGUNTA NA BUNDA”. Por Esmael Morais A única esperança de alguma pacificação seria o pedido de vista, que poderia vir de alguma ministro legalista, como Dias Toffoli, Marco Aurélio Mello ou Ricardo Lewandowski. Enquanto os jornalistas da Globo News exibem seus sorrisos, parecem não compreender a gravidade do que está ocorrendo com o país, inclusive, internacionalmente. Somada a possível prisão do ex-presidente Lula, à execução de Marielle Franco e o atentado aos ônibus da Caravana de Lula pelo Sul do país, a interpretação internacional será nefasta para a imagem do Brasil. https://t.co/bAnQItiwib via A Postagem

#LulaLivre

Retweeted Célia Long (@Celia13Guevara):
STF ABRE A CAIXA DE PANDORA OU ALGUM MINISTRO PEDE VISTA
04/04/2018
Certamente haverá alguma reação no curto prazo e, no longo prazo, com uma esquerda que começou a se unir, compreendendo a urgência do momento, haverá reação no médio e no longo prazo. Com o voto desastroso de Rosa Weber, que, segundo ela, decidiu pelo entendimento de 2016, mesmo que ela pense o contrário, abre-se a porta para a prisão do ex-presidente Lula, a menos que alguém peça vista do processo.

Logo após o voto de Rosa Weber, que consagrou a vitória fascista da mídia, em especial a Globo, com seu “puxadinho”, o comando do exército, a presidente do STF, Ministra Cármen Lúcia pediu um intervalo por tempo regimental. O Brasil, com isso, chega a um impasse em sua história e começa um mergulho numa espiral de radicalização e domínio das classes superiores sobre os mais pobres. Não há qualquer perspectiva de como será a reação mas, há forte tendência de crescimento dos seguimentos mais atrasados da sociedade brasileira.

Leia Também: GILMAR MENDES MANDA JORNALISTA DA FOLHA “ENFIAR A PERGUNTA NA BUNDA”. Por Esmael Morais
A única esperança de alguma pacificação seria o pedido de vista, que poderia vir de alguma ministro legalista, como Dias Toffoli, Marco Aurélio Mello ou Ricardo Lewandowski. Enquanto os jornalistas da Globo News exibem seus sorrisos, parecem não compreender a gravidade do que está ocorrendo com o país, inclusive, internacionalmente. Somada a possível prisão do ex-presidente Lula, à execução de Marielle Franco e o atentado aos ônibus da Caravana de Lula pelo Sul do país, a interpretação internacional será nefasta para a imagem do Brasil.

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#Brasil FSM2018: A ofensiva conservadora contra o direito à comunicação na América Latina FELIPE BIANCHI 23 MARÇO 2018 Do Fórum de Comunicação para a Integração de Nossa América Tradução: Felipe Bianchi A atual ofensiva conservadora na América Latina, assim como as resistências a ela, foi um dos temas destacados em diversos espaços no Fórum Social Mundial 2018, realizado em Salvador, na Bahia. O tema ganhou dimensão ainda maior após o assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL, no Rio de Janeiro. O impacto desta ofensiva conservadora nos direitos à comunicação foi a pauta colocada em cena pela iniciativa do Fórum de Comunicação para a Integração de Nossa América (FCINA), ao lado do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), do Brasil. Neste marco, foram abordados os retrocessos em matéria de legislação e políticas públicas para a democratização da comunicação, o impacto da concentração monopólica no setor de Internet e a experiência da Mídia Ninja e do Facción como alternativas de comunicação no Brasil e América Latina. Bia Barbosa, do Intervozes e do FNDC, fez uma breve retrospectiva sobre a concentração dos meios de comunicação no Brasil e o papel preponderante deles na história dos nossos países, que atualmente sofrem fortes ataques à democracia, o que reflete no direito à comunicação. Assim, nos mesmos país onde, durante um curto período, deram-se passos concretos para democratizar a comunicação, permitindo ao menos ampliar um pouco a diversidade e pluralidade dos meios a fim de garantir mais liberdade de expressão, agora estão ocorrendo graves retrocessos. Na Argentina, por exemplo, uma das primeiras medidas tomadas por Mauricio Macri foi eliminar a autoridade fiscalizadora criada pela lei de meios audiovisuais, além de reduzir os limites estabelecidos para a concentração da propriedade de veículos, atendendo explicitamente aos interesses do grupo Clarín. Ao referir-se ao caso brasileiro, Barbosa recorda que “o pouco que conquistamos, como a criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC, empresa de caráter público), foi um dos primeiros alvos a ser atacado pelo governo de Michel Temer, através de uma lei que dissolveu sua autonomia e seu caráter público, convertendo a EBC em uma empresa de propaganda governamental”. Ela enfatiza, ainda, que sem levar a cabo mudanças profundas para democratizar o setor, a democracia estará sempre ameaçada. Neste sentido, Barbosa recordou que não basta ganhar as eleições: no Brasil, que tem pleito previsto para outubro próximo, pode-se até ganhar o governo, mas se não mexe no sistema de comunicação, tudo pode voltar a se repetir Há Estados que entendem as comunicações como um serviço privado que deve ser prestado apenas por meios privados. O dever do Estado se limitaria a distribuir as frequências, sem considerar que se trata de um bem público, exigindo a garantia de que o direito seja exercido por diversos setores da população. Isto tem a ver “com a visão mais ampla do papel do Estado na América Latina, com a visão neoliberal em matéria de economia e com a visão conservadora em matéria de costumes, entendendo a comunicação como uma parte legitimadora desta visão de mundo”, o que afeta o direito à comunicação. Internet monopolizada Por sua vez, Sally Burch, da Agência Latino-Americana de Informação (ALAI), abordou a temática desde a perspectiva das tecnologias digitais. Iniciou sua participação com uma resenha do contexto global onde há, cada vez mais, uma concentração monopólio nas grandes plataformas da Internet. Mais que isso, está em vigência uma geopolítica mundial, principalmente entre Estados Unidos e China (e suas respectivas empresas transnacionais) em torno de quem dominará o mundo digital e o âmbito da inteligência artificial. Dado que a base desta economia digital são os dados (nova fonte de valor), as empresas transnacionais e seus respectivos Estados impulsionam acordos “comerciais” (em tratados como o TPP – Parceria Transpacífico – ou na Organização Mundial do Comércio, etc), cujo propósito real não é estimular o comércio, senão impedir que se regule os livres fluxos de dados (por exemplo, para proteger a privacidade dos dados pessoais). Ou seja, manter destravado o fluxo e armazenamento para que estejam sob o controle destas grandes empresas. Os países da região que assinaram o TPP, ou que apoiam a proposta de negociar o comércio eletrônico na OMC, estão, na prática, renunciando a qualquer soberania tecnológica e à possibilidade não apenas de proteger os dados de seus cidadãos, mas também de adotar medidas para que os dados beneficiem, em primeiro lugar, aos interesses da própria comunidade. O que se poderia realizar, como bloco, neste sentido, por exemplo na Unasul, agora repousa praticamente descartado pelo boicote que enfrenta esta entidade por parte dos governos conservadores. Entre as implicações desta situação para os direitos e para a democracia na região, está a redução do espaço dos meios alternativos na Internet, quando empresas como Google e Facebook manipulam seus algoritmos de busca, ou bloqueiam conteúdos, com o pretexto de serem supostas “fake news”, que na realidade podem apenas ser conteúdos críticos ao sistema. E tem mais: o uso que está se fazendo dos dados pessoais por parte da direita, em eleições de diversos países como os Estados Unidos e, aparentemente, o México, inclui a manipulação da votação por parte de empresas que compram bancos de dados para processá-los e interpretá-los, com o objetivo de dirigir mensagens personalizadas à população suscetível a mudar sua decisão de voto. Oliver Kornblihtt, das redes de comunicação populares Mídia Ninja e Facción, questionou, ante este contexto, qual o papel dos meios alternativos e do midiativismo nesta disputa que se vive na região. “Qual é nosso lugar de luta, de onde falamos, de onde construímos, quando nos enfrentamos a um Estado no qual, como no México, matam a jornalistas? Um Estado que nos persegue e não nos protege? Como no Brasil, onde a polícia, que deveria cuidar-nos, é militarizada e assassina gente como a Marielle e a outras pessoas nas favelas diariamente?”. Para ele, há que seguir construindo redes, construindo outra comunicação, a nível nacional e regional, pois “a comunicação é uma frente de batalha fundamental neste momento”. No caso da Mídia Ninja, prossegue, a iniciativa se considera “um movimento social dentro da comunicação, posicionado ao lado de outros movimentos sociais e culturais”. É uma rede de comunicadores e comunicadoras que vem da cultura e do Brasil profundo. “A partir das redes sociais, do trabalho em tempo real, da disputa estética e narrativa, vem se criando uma máquina de comunicação grande e forte, com capacidade para disputar o espaço dos grandes meios concentrados. Estamos todos os dias nas ruas e nas redes. Não temos medo de tomar posição política: defendemos Lula”. O que se enfrenta diariamente é uma guerra, por parte do Estado e dos grandes meios, a fim de nos deslegitimar, negando que fazemos jornalismo e desqualificando o ativismo como “fake news”. Agora, o ataque também vem de grandes corporações como o Facebook, que na última semana alterou seus algoritmos de maneira que a conta da Mídia Ninja, dona de uma base permanente mínima de dois mil seguidos, chegando a mais de dois milhÕes deles, agora aparecem apenas 150, em momentos que se transmite um debate de grande interesse nacional. Kornblihtt considera que esta manobra de deslegitimação busca justificar novos ataques. A construção de redes, no Brasil e na América Latina, afirma o comunicador, é fundamental porque permite a troca de experiências, tecnologias e a geração de novas ferramentas. “Quando ocorreu o golpe parlamentar contra Fernando Lugo, no Paraguai, armou-se uma antessala para outros golpes, mas talvez não demos tanta importância porque era um país pequeno”, mas vimos no que deu. “Então o que podemos aprender hoje, do México, que caminha para eleições?”, pergunta. Ações e campanhas comuns Para concluir o debate, Renata Mielli, coordenadora do FNDC, sintetizou as ideias-chave do seminário, com ênfase na urgência de uma maior articulação regional para definir pontos comuns da luta pela democratização da comunicação frente aos velhos monopólios midiáticos comerciais, mas também aos novos monopólios como Facebook, Google e Amazon – plataformas gigantes que tentam “aprisionar nossas comunicações”. Em tal sentido, o FCINA tem dado um exemplo para a região ao replicar conteúdos entre os meios e organizações participantes e impulsionar um debate sobre a democratização da comunicação e das tecnologias. Mielli ressaltou também a necessidade de ações e campanhas comuns em defesa, por exemplo, da neutralidade da rede, uma problemática regional e mundial, além de fortalecer mutuamente os coletivos que fazem comunicação contra-hegemônica no continente. Neste marco, é preciso refletir conjuntamente sobre um enfoque político para a comunicação e a luta por sua democratização. Foi enfatizada a importância de contribuir e ajudar a fortalecer, desde a região, a construção do Fórum Social da Internet, como um espaço mundial para aprofundar o debate e a busca de alternativas, desde diversos enfoques e setores, visando o resgate de uma Internet cidadã em detrimento ao poder crescente dos monopólios. As organizações que participaram da mesa são membros ou aliados do FCINA, assim como a Associação Latino-Americana de Educação Radiofônica (ALER), que ficou responsável pela moderação.

https://baraodeitarare.org.br/site/index.php/noticias/comunicacao/2195-fsm2018-a-ofensiva-conservadora-contra-o-direito-a-comunicacao-na-america-latinaComunicação para a Integração contra a ofensiva conservadora comunicação na am latina